Categoria · Saúde

Perda Auditiva

Uma das condições de saúde mais prevalentes em Portugal — e também das mais subdiagnosticadas. Neste tema reunimos o que a investigação actual mostra sobre tipos, causas, graus e consequências da perda auditiva.

O que é a perda auditiva?

A perda auditiva é a redução, parcial ou total, da capacidade de ouvir sons. Pode afectar apenas um ouvido (perda unilateral) ou ambos (bilateral), e pode instalar-se de forma súbita ou, muito mais frequentemente, de forma gradual ao longo de anos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 1,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem com algum grau de perda auditiva. Em Portugal, estima-se que cerca de 800 mil adultos tenham perda auditiva não tratada — a maioria sem sequer ter feito uma avaliação formal.

Os três grandes tipos

Do ponto de vista clínico, a perda auditiva divide-se em três grandes categorias, consoante a estrutura do aparelho auditivo que está comprometida:

  • Perda neurossensorial — a mais comum em adultos. Resulta de lesões nas células ciliadas do ouvido interno ou no nervo auditivo. É tipicamente irreversível, mas muito bem compensada por aparelhos auditivos modernos.
  • Perda de condução — ocorre quando o som não consegue passar correctamente pelo ouvido externo ou médio (por exemplo, por acumulação de cerúmen, otites crónicas, ou problemas nos ossículos). Muitas vezes é reversível com tratamento médico ou cirúrgico.
  • Perda mista — combina componentes das duas anteriores.
Dado relevante A perda auditiva não tratada foi identificada pela revisão da comissão Lancet (2020) como o maior factor de risco modificável para o desenvolvimento de demência ao longo da vida — acima do tabagismo, do isolamento social ou da hipertensão.

Graus de perda

Os audiologistas classificam a severidade da perda em cinco graus, determinados pelo limiar auditivo (medido em decibéis) no audiograma:

  • Normal (até 20 dB) — sem perda clinicamente relevante.
  • Ligeira (21 a 40 dB) — dificuldade ocasional em locais ruidosos.
  • Moderada (41 a 60 dB) — necessidade frequente de pedir para repetir, volume de TV elevado.
  • Severa (61 a 80 dB) — dificuldade mesmo em ambientes silenciosos, conversa quase impossível sem compensação.
  • Profunda (acima de 80 dB) — só sons muito intensos são percebidos; aparelhos auditivos são essenciais e em alguns casos considera-se implante coclear.

Impacto além da audição

A investigação mais recente deixa claro que a perda auditiva não tratada afecta mais do que apenas a percepção de sons. Há evidência consistente sobre o seu impacto na cognição, no humor e nas relações sociais — sendo que o mecanismo mais provável é o esforço cognitivo sustentado que o cérebro faz para compensar a informação em falta, e o isolamento social gradual que resulta da dificuldade de comunicação.

É precisamente por isso que o diagnóstico precoce e a intervenção adequada fazem tanta diferença: não se trata apenas de ouvir melhor, trata-se de preservar qualidade de vida a longo prazo.

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