Aparelhos Auditivos
Os aparelhos auditivos modernos pouco se parecem com os dispositivos analógicos de há vinte anos. Nesta categoria explicamos como funcionam, que tipos existem, quanto custam em Portugal e o que esperar da adaptação inicial.
O que faz um aparelho auditivo moderno
Um aparelho auditivo actual é um microcomputador. Tem microfones direccionais, processador digital de sinal, algoritmos que separam a fala do ruído, redutores de realimentação (feedback), e frequentemente ligação Bluetooth ao telemóvel. Não amplifica simplesmente o som — amplifica selectivamente, consoante o perfil de perda da pessoa.
O primeiro passo é sempre um audiograma, feito na consulta de avaliação, que traça a perda em função da frequência. Depois, o aparelho é programado para corrigir exactamente onde há perda, preservando os sons que a pessoa ainda ouve bem.
Tipos principais
- Retroauriculares (BTE) — colocam-se atrás da orelha, com um tubo que leva o som ao canal auditivo. Robustos, potentes, indicados para perdas moderadas a profundas. Muito visíveis.
- RIC / RITE (receiver-in-canal) — variante moderna do BTE, mais discretos e actualmente a escolha mais comum. Combinam boa potência com discrição razoável.
- Intra-auriculares (ITE, ITC, CIC) — encaixam no canal auditivo, com vários graus de discrição. Menos potentes, adequados a perdas ligeiras a moderadas.
- Invisíveis (IIC) — totalmente dentro do canal, praticamente invisíveis. Indicados para perdas ligeiras a moderadas em canais auditivos de geometria adequada.
Quanto custam em Portugal
O preço varia muito consoante a tecnologia e a gama. Como ordem de grandeza actualizada em 2026:
- Gama básica: 800 a 1 500 € por aparelho.
- Gama intermédia: 1 500 a 2 500 € por aparelho.
- Gama premium: 2 500 a 4 000 € por aparelho.
O preço geralmente inclui adaptação, afinações iniciais, garantia alargada e acompanhamento pós-venda. É importante perceber o que está incluído antes de comparar propostas.
Comparticipações: a ADSE, os subsistemas de saúde e alguns seguros comparticipam parcialmente a aquisição. Algumas condições clínicas e graus de incapacidade dão também direito a comparticipação via Segurança Social. A consulta gratuita inclui normalmente o levantamento destas possibilidades.
O processo de adaptação
Contrariamente à ideia comum, colocar aparelhos pela primeira vez não é como pôr óculos. O cérebro precisa de reaprender a processar sons que há muito deixara de ouvir nitidamente — e esse processo demora semanas.
Fases típicas da adaptação:
- Primeiros dias: tudo parece demasiado alto, o próprio som da voz surpreende. Sensação de "entulho sonoro".
- Segunda e terceira semanas: o cérebro começa a filtrar. Os sons irrelevantes (o frigorífico, o trânsito de fundo) deixam de ser intrusivos.
- Depois do primeiro mês: as afinações são ajustadas com base na experiência real. Aqui entram as consultas de seguimento.
- 3 a 6 meses: adaptação estabilizada. O cérebro integrou o novo padrão sonoro e a pessoa deixa de "notar" os aparelhos.
A maior causa de insucesso dos aparelhos auditivos não é a tecnologia — é a desistência precoce, nas duas primeiras semanas, antes do cérebro ter tempo de se adaptar. Uma boa equipa de audioprotesia acompanha esta fase crítica muito de perto.
Todos os artigos deste tema
30 minutos. Sem custos. Sem compromisso.
Uma avaliação auditiva profissional, realizada por um especialista num centro parceiro perto de si. Marcamos nós.
Marcar consulta →2 minutos para perceber se deve fazer uma consulta
Um questionário rápido, anónimo, baseado nos sinais clínicos mais comuns. Pode ajudar a decidir se é altura de fazer uma avaliação auditiva.
Fazer teste →