Prevenção

Tabagismo e audição: mais um motivo para deixar de fumar

Os pulmões e o coração são os primeiros órgãos em que se pensa. Mas a investigação tem mostrado que o tabaco também deixa marcas num órgão pequeno e delicado: o ouvido interno.

Os efeitos do tabaco sobre os pulmões, o coração e os vasos sanguíneos são conhecidos há décadas. Menos divulgada é a relação entre fumar e a audição. Nos últimos anos, vários estudos de grande dimensão têm observado que os fumadores apresentam, em média, um risco mais elevado de perda auditiva do que as pessoas que nunca fumaram.

Não se trata de dizer que o tabaco é a principal causa de perda auditiva — a idade, o ruído e factores genéticos continuam a ter um peso muito maior. Mas é um factor que depende das nossas escolhas e que, ao contrário da idade, pode ser alterado. Este artigo resume o que se sabe, com a prudência que a evidência exige.

O que dizem os estudos

A maior parte da informação disponível vem de estudos epidemiológicos, que acompanham grandes grupos de pessoas e comparam quem fuma com quem não fuma. Um dos mais citados foi publicado em 2019 na revista Nicotine & Tobacco Research: acompanhou durante vários anos dezenas de milhares de trabalhadores japoneses, com testes de audição regulares, e observou que os fumadores tinham maior probabilidade de desenvolver perda auditiva, sobretudo nos sons agudos.

Esse estudo, tal como outros, encontrou dois padrões que reforçam a credibilidade da associação:

  • Relação com a quantidade — o risco tendia a ser maior quanto mais cigarros por dia se fumava.
  • Redução após deixar de fumar — nas pessoas que deixaram o tabaco, o risco acrescido diminuía ao longo dos anos seguintes.

É importante ler estes resultados com cuidado. Um estudo observacional mostra uma associação, não prova por si só uma relação de causa e efeito: os fumadores podem diferir dos não fumadores noutros aspectos, como a exposição ao ruído no trabalho ou outras doenças. Os investigadores tentam corrigir estas diferenças, mas nunca de forma perfeita. Ainda assim, a consistência dos resultados entre estudos diferentes, em países diferentes, é um sinal que merece atenção.

Fumo passivoAlguns estudos indicam que a exposição regular ao fumo de outras pessoas também pode estar associada a pior audição. A evidência é menos robusta do que para os fumadores, mas é mais um argumento para manter a casa e o carro livres de fumo.

Porque é que o ouvido é sensível ao tabaco

O ouvido interno contém a cóclea, uma estrutura em forma de caracol onde milhares de células ciliadas transformam as vibrações sonoras em sinais nervosos. Estas células são muito exigentes: precisam de um fornecimento constante de oxigénio e de nutrientes, que chega através de vasos sanguíneos muito finos. Uma vez lesadas, não se regeneram.

Os mecanismos exactos ainda estão em estudo, mas as explicações mais aceites são plausíveis à luz do que se sabe sobre o tabaco noutros órgãos:

  • A nicotina provoca contracção dos vasos sanguíneos, o que pode reduzir a irrigação do ouvido interno.
  • O monóxido de carbono do fumo diminui a capacidade do sangue para transportar oxigénio.
  • As substâncias do fumo aumentam o stress oxidativo, um processo que danifica as células e que também está implicado na lesão causada pelo ruído.
  • O tabaco contribui para a doença dos vasos sanguíneos em geral, e a saúde cardiovascular tem sido associada à saúde auditiva.

Há ainda indícios de que fumar e estar exposto a ruído intenso possam somar efeitos. Para quem trabalhou ou trabalha em ambientes ruidosos, deixar de fumar e proteger os ouvidos são, por isso, duas medidas que se complementam.

Audição, tabaco e envelhecimento saudável

Depois dos 50 anos, a perda auditiva relacionada com a idade — a presbiacusia — torna-se cada vez mais frequente. Não é possível travar o envelhecimento, mas é possível evitar acrescentar-lhe factores que o agravam. O tabaco é um deles.

Há também uma ligação mais ampla. A Comissão da revista The Lancet sobre prevenção da demência, na sua actualização de 2024, identificou um conjunto de factores de risco modificáveis. A perda auditiva não tratada está entre os mais importantes, e o tabagismo também consta da lista. Isto não significa que fumar ou ouvir mal levem inevitavelmente à demência, mas mostra que cuidar da audição e deixar de fumar fazem parte do mesmo esforço: proteger o cérebro e a qualidade de vida ao longo dos anos.

Nunca é tarde para deixar de fumar. Os benefícios para o coração, os pulmões e a circulação começam a sentir-se pouco tempo depois — e o ouvido, que depende de uma boa circulação, também tem a ganhar.

Deixar de fumar: o que pode fazer

Deixar o tabaco é difícil, e muitas pessoas precisam de várias tentativas até conseguirem. Isso é normal e não deve ser motivo de desânimo. Algumas ideias que podem ajudar:

  • Falar com o médico de família. Pode avaliar a situação, explicar as opções de tratamento disponíveis e, se for o caso, orientar para uma consulta de apoio à cessação tabágica no Serviço Nacional de Saúde.
  • Contar com o apoio da família. Uma casa sem fumo e o encorajamento das pessoas próximas fazem diferença, sobretudo nas primeiras semanas.
  • Desconfiar de soluções milagrosas. Quanto aos cigarros electrónicos e outros produtos com nicotina, ainda não há evidência suficiente sobre os seus efeitos a longo prazo na audição; a nicotina continua presente e o mais seguro é discutir qualquer alternativa com um profissional de saúde.
  • Aproveitar para fazer um ponto da situação. Se já nota dificuldade em seguir conversas, aumenta o volume da televisão ou ouve zumbidos, é uma boa altura para fazer também uma avaliação auditiva.

Se notar uma perda de audição súbita, num ou em ambos os ouvidos, não espere: trata-se de uma situação que deve ser avaliada com urgência. Pode ligar para o SNS 24 (808 24 24 24) para orientação ou, em caso de emergência, para o 112.

Em resumo

O tabaco não é a causa mais importante de perda auditiva, mas é uma das poucas que estão nas nossas mãos. Os estudos indicam que os fumadores têm maior risco de ouvir pior, que esse risco cresce com a quantidade fumada e que diminui depois de se deixar de fumar. Para quem ainda fuma, a audição é mais um motivo — entre muitos — para tentar parar.

Se fuma e tem dúvidas sobre a sua audição, ou se quer ajuda para deixar o tabaco, fale com o seu médico de família ou com um profissional de saúde auditiva. Uma avaliação simples permite saber como está a sua audição hoje e acompanhar a sua evolução ao longo do tempo.

Próximo passo

Chegou ao fim. E agora?

Se alguma coisa neste artigo lhe soou familiar — na sua própria audição ou num familiar — o próximo passo é simples: uma avaliação auditiva gratuita, sem compromisso.

Num centro parceiro perto de si, em cerca de 30 minutos, um especialista faz a avaliação e explica claramente o que está a acontecer. Ligamos nós para marcar.

✓ Gratuito ✓ 30 minutos ✓ Sem compromisso ✓ Centros em todo o país

Prefere começar por um teste rápido? Faça o teste de audição em 2 minutos →

Gratuito

Marque a sua consulta

Deixe o seu contacto e ligamos na data que preferir.

Sem compromisso · Ligamos nós · Resultado em 30 min

✓ Obrigado!

Entramos em contacto brevemente para confirmar a sua consulta.