Família

Os seus pais ouvem mal? Como ajudar sem os afastar

A televisão está cada vez mais alta, os telefonemas são cada vez mais curtos e as respostas nem sempre batem certo com as perguntas. O que fazer quando a preocupação é com os pais.

É uma situação muito comum. Os filhos são, muitas vezes, os primeiros a perceber que os pais estão a ouvir pior. Nota-se nas chamadas, que ficam mais curtas e cheias de "o quê?". Nota-se nos almoços de família, em que o pai ou a mãe se vai desligando da conversa. Nota-se na televisão, que se ouve do outro lado da casa. E, no entanto, quando o assunto é levantado, a resposta mais frequente é: "Eu ouço bem, vocês é que falam baixo."

Ajudar um pai ou uma mãe a cuidar da audição exige mais tacto do que informação. Eis algumas orientações que costumam fazer diferença.

Perceber porque é que há resistência

A recusa raramente é teimosia. Na maior parte dos casos, há razões compreensíveis por trás:

  • A perda instala-se devagar e a pessoa genuinamente não se apercebe de quanto mudou.
  • Associação à velhice: admitir que se ouve mal pode ser sentido como admitir que se está a envelhecer.
  • Imagens antigas dos aparelhos auditivos, grandes, visíveis e com apitos.
  • Receio dos custos ou de ser pressionado a comprar alguma coisa.
  • Medo do resultado — é mais confortável não saber.

Perceber qual destas razões pesa mais ajuda a escolher a abordagem certa.

Como levantar o assunto

A forma como a conversa começa determina muito do que vem a seguir. Algumas sugestões:

  • Escolha o momento: uma conversa calma, a dois, num ambiente sem barulho. Nunca à frente de outras pessoas nem a seguir a um momento de frustração.
  • Fale de situações concretas, não de diagnósticos: "Reparei que no almoço de domingo ficou um bocado de fora da conversa" funciona melhor do que "Está a ficar surdo".
  • Fale do que sente: "Tenho saudades das nossas conversas ao telefone" abre portas que a crítica fecha.
  • Proponha uma avaliação, não uma solução: fazer um exame é apenas saber como está a audição. Não obriga a nada.
O objectivo da primeira conversa não é convencer. É plantar a ideia e mostrar que se está do lado deles.

Tornar o primeiro passo fácil

Muitas pessoas aceitam a ideia mas vão adiando. Reduzir os obstáculos práticos ajuda:

  • Trate da marcação, se o seu pai ou a sua mãe concordar.
  • Ofereça-se para ir junto. Ter alguém de confiança na consulta ajuda a fazer perguntas e a lembrar o que foi dito — e o familiar pode descrever situações que a própria pessoa não nota.
  • Enquadre como um check-up, tal como se mede a tensão ou se vai ao oftalmologista.
  • Dê exemplos de pessoas próximas que fizeram o exame ou usam aparelhos e estão satisfeitas.
Se a resposta for "não" Respeite. Insistir de forma repetida tende a criar resistência. Volte ao tema mais tarde, a partir de outra situação concreta. Muitas pessoas mudam de opinião ao fim de algumas semanas, sobretudo quando sentem que a decisão é delas.

Depois da avaliação

Se houver indicação para aparelhos auditivos, o apoio da família continua a ser importante. As primeiras semanas de adaptação exigem paciência: o cérebro precisa de tempo para se habituar a sons que deixou de ouvir, e é normal que, no início, tudo pareça demasiado alto ou estranho.

  • Incentive o uso diário, mesmo que por períodos curtos no início.
  • Valorize as pequenas melhorias: um telefonema mais fácil, uma conversa ao jantar.
  • Ajude com a parte prática, como carregar ou limpar os aparelhos, se for necessário.
  • Lembre as consultas de acompanhamento, que permitem ajustar os aparelhos.

Ajustar a forma como comunicamos

Independentemente da decisão, há mudanças simples que tornam a comunicação mais fácil: falar de frente, sem tapar a boca, num ritmo calmo e sem gritar; reduzir o ruído de fundo antes de uma conversa; e, se uma frase não for percebida, reformulá-la em vez de a repetir mais alto.

Ajudar os pais a ouvir melhor é, no fundo, uma forma de os manter presentes na vida da família. Se tem dúvidas sobre o próximo passo, um profissional de saúde auditiva pode orientar tanto o seu familiar como a si.

Próximo passo

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