Porque ignoramos a perda auditiva durante anos — e o que isso nos custa
Os especialistas chamam-lhe "a epidemia silenciosa". A perda auditiva afeta mais portugueses do que a diabetes, e ainda assim continuamos a tratar o assunto como um tabu.
Imaginem que começam a precisar de óculos mas, durante sete anos, ignoram o facto de que estão a ver cada vez menos. Parece absurdo. E no entanto, é exatamente isso que a maioria das pessoas faz com a audição.
Segundo dados internacionais citados pela OMS, a média de tempo entre os primeiros sinais de perda auditiva e a procura de tratamento é de sete anos. Em Portugal, estima-se que apenas uma em cada cinco pessoas com dificuldades auditivas usa algum tipo de compensação.
As razões são várias: negação, estigma social e falta de informação. E uma característica insidiosa desta condição — instala-se tão gradualmente que o próprio raramente nota a diferença.
O que os estudos mostram é que adiar o diagnóstico tem custos reais: maior risco de isolamento social, deterioração cognitiva mais acelerada e piores resultados de reabilitação.